Paz e entendimento por meio de viagens e hospedagem

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segunda-feira, 28 de junho de 2010

PERFIL: Alva Santiago, Secretária Nacional

Alva entre o colombiano Jaime (esq.) e o argentino Pablo


A primeira vez em que Alvany Santiago ouviu falar do Servas foi na França, por meio de um amigo do Hospitality Club. Interessou-se imediatamente por adorar viajar e porque a proposta da organização era parecida à de outras redes de hospitalidade das quais já fazia parte. Assim que voltou ao Brasil, entrou em contato com o Servas Brasil e foi entrevistada por Roberto Borenstein, na época o Secretário Nacional, em junho de 2007.

Sua primeira experiência com a organização aconteceu na Itália, quando viajava com seu filho Caio, em 2008. Desde então, tem participado ativamente do grupo. Em 2008, tornou-se coordenadora de Pernambuco. Participou do Primeiro Encontro Latino-Americano em Villa de Leyva, Colômbia, no início de 2009. Em setembro daquele ano, foi também a delegada brasileira na Assembleia Geral do Servas Internacional em Mar del Plata, Argentina. Esteve na conferência de comemoração dos 60 anos do Servas em Goa, Índia, em janeiro de 2010. Antes, teve a oportunidade de hospedar-se com membros Servas em Nova York. Depois, fez o Servas Language Experience (SLE) em Buenos Aires, Argentina.

Baiana de Santo Antonio de Jesus, Alva teve uma bela experiência numa comunidade rural, no oeste da Bahia, para onde se mudou logo que obteve a graduação no curso de Ciências Socias na UFBA. Seu objetivo era fazer o mestrado em Sociologia Rural, mas os planos foram alterados pelo casamento e pelo nascimento do filho. Já trabalhou de São Paulo a Teresina (PI) e passou quatro anos nos Estados Unidos (1997-2001), quando cursou o mestrado em Administração.

Alva tem sido anfitriã Servas em Petrolina (PE), cidade onde mora desde que retornou ao Brasil. Tornou-se professora da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf). Por conta da família e dos estudos de doutorado, ela vive também entre Bahia, São Paulo e Espírito Santo. Desenvolve alguns trabalhos sociais: no grupo Jovens, Servas & Paz, com alunos da Univasf; no Assentamento Terra da Liberdade e na Associação das Mulheres Rendeiras do Bairro José e Maria e adjacências, todos em Petrolina. Em Vitória (ES), também começou um grupo de reflexões sobre a paz com jovens estudantes da UFES.

Ela conta com entusiasmo que o Servas mudou sua vida para melhor. Deu-lhe a possibilidade de desenvolver o seu projeto de vida: trabalhar para o empoderamento das pessoas e em prol da tolerância e do entendimento. Graças ao Servas, tem vivido experiências em diferentes culturas sempre desfrutando-as de fato. Segundo Alva, ser recebida como alguém da família e participar da rotina dos moradores em países tão diversos é um aprendizado único. Em contrapartida, acolher viajantes, mostrar-lhes o modo de vida dos brasileiros e auxiliá-los durante sua estadia, além de ser muito gratificante, proporciona a oportunidade de trocar vivências e conhecer outros pontos de vista. “Cada hóspede que recebo é como uma viagem para mim.”



texto: Maristela Nardi

domingo, 23 de maio de 2010

ERA UMA VEZ...

Nélio em ação

Take 1: “Perdido na noite”
Foi ao cinema sozinho. O filme talvez trouxesse uma trama inspirada em Júlio Verne, não se lembra direito, afinal era apenas um garoto. Ao sair da sala, porém, a noite já havia se instalado. Por mais que tivesse prestado muita atenção nos letreiros das lojas ao redor, no semáforo que tinha cruzado e na esquina dobrada quando chegara, tudo havia mudado. Aquelas luzes acesas e os letreiros brilhantes confundiam o adolescente. Ok, ok, ele morava no centro de Belo Horizonte, mas isso não significava que soubesse de cor todos os caminhos que levassem ao tesouro, ops, ao cinema. Passara boa parte da infância na frente da TV. Ou então, sentadinho ao lado da banca de jornais perto de casa, com um monte de revistinhas no colo. Brincadeira de rua só em Corinto, no interior mineiro. Ali podia pescar, andar de bicicleta, bater peneira... Perdido, sem saber o que fazer, pediu ajuda a um policial. Resultado: voltou de camburão para casa.


Take 2: “Eles não usam black-tie”
De novo no cinema. Mas agora já era um rapaz, tinha lá seus 16 ou 17 anos. Acabara de sair de uma sessão em que vira uma espécie de "videoarte" dos anos 1970, antes do surgimento do vídeo. Eram sequências de imagens artísticas de fotógrafos realizadas com o chamado “audiovisual”, uma espécie de aparelho, formados por dois projetores ligados a um dispositivo denominado dissolver, que exibe uma sucessão de slides de forma simultânea e sincronizada. “Quero trabalhar com isso”, disse a si mesmo. Buscou num catálogo todas as empresas que trabalhavam com “audiovisual”, em geral produtoras de anúncios institucionais, eram cerca de dez, e esteve em cada uma delas a fim de pedir emprego.
— Você tem experiência?
— Não.
— Preciso de alguém com experiência.
— Puxa vida! Mas como é que vou ter experiência se ninguém me deixa começar?
Silêncio.
— É verdade. Tá certo, rapaz, as portas da empresa estão abertas.
O moço apareceu lá no dia seguinte, caderno em punho, anotando tudo, fazendo mil perguntas. Um mês depois, estava contratado.


Take 3: “E la nave va”
Decidiu ir a Ouro Preto, onde Paul Mazursky e equipe estavam filmando “Luar sobre Parador”, com Sonia Braga e Raul Julia. Descobriu um brasileiro na equipe técnica. Arriscou:
— Não estão precisando de alguém no som?
— Mas que coincidência! Estamos precisando, sim!
Começou a trabalhar como cable men na hora.

Tornou-se um eficiente e requisitado técnico de som. Passou pela Rede Globo, esteve em agências de publicidade de Belo Horizonte, foi um dos fundadores da Curta Minas – Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas de Minas Gerais e já teve dois de seus vídeos premiados no festival Telemig Celular Art.mov. Tem mestrado em Artes Visuais; sua dissertação foi sobre Arte e Tecnologia da Imagem.

Qual o nome dele? Nélio Costa, uai, membro Servas de Belo Horizonte, Minas Gerais.

(texto: Mafê Vomero)

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Brasileira? Paraguaia? Latina total!

Tudo começou quando a Secretária Nacional do Servas Paraguai, MAGDALENA ORTIZ, natural de Vitória (ES), caiu nos encantos de um paraguaio e mudou-se para Ciudad del Este, há mais de 20 anos...

Rafael e Magdalena

SERVAS BRASILIS: Como e quando conheceu o Servas e o que mais chamou sua atenção?
MAGDALENA ORTIZ:
Em 2002, por meio de uma comadre que pediu para eu e meu marido hospedarmos um casal de italianos. Eles visitavam Assunção, onde ela morava, e seguiriam à região das Cataratas do Iguaçu, onde eu morava. Hospedamos os dois sem fazer parte do grupo. Mas tivemos a oportunidade de conhecer a hospitalidade do casal quando fomos à Itália, já como integrantes Servas. Ficamos atraídos pela possibilidade de vivenciar diferentes culturas em casas de famílias.

SB: Por que o Paraguai? Como foi essa mudança?
MO:
Moro em Ciudad del Este desde 1984 – já se vão 25 anos... – porque me casei com um paraguaio que conheci na universidade de Vitória. A mudança não foi tão impactante, já que vivemos na fronteira com o Brasil e temos muita influência do País. Eu não falava espanhol, mas aprendi com o tempo e os filhos.

SB: Qual a sua relação com os anfitriões paraguaios? Você visita outros lugares do país?
MO:
O Servas não é muito conhecido no Paraguai, mas procuramos divulgar comentando com amigos e contando sobre nossas experiências. A relação com outros integrantes se dá por e-mail, envio de notícias e atualização de dados dos anfitriões. Mas nossa intenção é visitar outros lugares para divulgar a organização e ter anfitriões em mais lugares, além de Assunção e Alto Paraná.

SB: Qual a principal característica dos Servas paraguaios?
MO: A hospitalidade e o calor humano. Quem nos visita é muito bem recebido e, espero que comente sobre as boas experiências no Paraguai. Queremos mais visitantes e estamos de portas abertas para isso! ☼

terça-feira, 22 de abril de 2008

Thomas, um americano ‘mineirin’



O norte-americano Thomas Tate nasceu em Long Beach, Califórnia, nos Estados Unidos, 58 anos atrás. Recém-formado em Geologia, mudou-se para Santa Fé, no Novo México, onde trabalhou na área de meio ambiente. Há dez anos é anfitrião do Servas. Louco para conhecer o Brasil, veio para cá como viajante. Foi graças à organização, vejam só, que conheceu sua esposa. Inicialmente, com o visto de turista, Thomas morou durante seis meses em Brasília, enquanto aproveitava para conhecer outros estados. Em Minas Gerais, hospedou-se na casa da mulher por quem se apaixonaria, Márcia Roos, também membro Servas. Demorou mais um pouco para que finalmente ficassem juntos. “Meu prazo venceu, voltei aos Estados Unidos e, cinco meses depois, escrevi à Márcia para que nos encontrássemos na minha volta ao Brasil”, conta. Ela propôs hospedá-lo novamente. Ele, é óbvio, aceitou. Desta vez, com um visto de voluntário em projetos sociais, Thomas trabalhou em Educação Ambiental e hortas comunitárias. Seu visto venceu e... ele e a anfitriã casaram.

“Moramos juntos durante três anos em Tiradentes (MG), até comprarmos um sítio em São João del Rei. São quatro anos na cidade, em que trabalho como produtor de hortaliças orgânicas, minha esposa atua como fonoaudióloga e minha enteada Clara, filha de Márcia, estuda no Ensino Médio”, diz o norte-americano, completamente entregue aos encantos mineiros. Quando surgiu uma vaga para coordenador do Servas em Minas Gerais, ele quis ajudar até que alguém aceitasse a responsabilidade de modo permanente. Não sabia que esse alguém seria ele próprio. “Vai ser meu terceiro ano”, diz. “Tomara que possa fazer muito pela minha região, Servas Brasil e Servas internacional.”
-- por Débora Didonê